MATEUS 26,36-46

Texto bíblico diário comentado (242)

Prezados irmãos e irmãs,

Leitura e reflexão diária da Palavra de Deus. Fiquemos juntos nesta ação.

Mateus 26,36-46 – No Getsêmani – Então Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse aos discípulos: "Sentai-vos ai enquanto vou até ali para orar". Levando Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes então: "Minha alma está triste até a morte. Permanecei aqui e vigiai comigo". E, indo um pouco adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: "Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres". E, ao voltar para junto dos discípulos, encontrou-os adormecendo. E diz a Pedro: "Como assim? Não fostes capazes de vigiar comigo por uma hora! Vigiai e orai, para que não entreis em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca". Afastando-se de novo pela segunda vez, orou: "Meu Pai, se não é possível que esta taça passe sem que eu a beba, seja feita a tua vontade!" E ao voltar de novo, encontrou-os dormindo, pois seus olhos estavam pesados de sono. Deixando-os, afastou-se e orou pela terceira vez, dizendo de novo as mesmas palavras. Vem, então, para junto dos discípulos e lhes diz: "Dormi agora e repousai: eis que a hora está chegando e o Filho do Homem está sendo entregue às mãos dos pecadores. Levantai-vos! Vamos! Eis que meu traidor está chegando". Palavra da Salvação!

Comentário: A Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, Tiago e João, Jesus revela o seu coração e partilha o seu sofrimento mais penetrante: "Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo". O gesto de prostração é manifestação do sofrimento que invade toda a Sua alma. Jesus sente em toda a sua força o pavor que a morte inspira ao homem; experimenta e exprime o desejo natural de escapar dela, pedindo que seja afastado o cálice do sofrimento, mas imediatamente se recompõe e reafirma a vontade de cumprir plenamente a vontade do Pai. A sua oração naquela noite não é silenciosa nem única. Nessa tríplice oração de Jesus no Getsêmani, temos todo um caminho de identificação com a vontade do Pai. Uma entrega sempre mais radical e total ao plano de salvação. Um abandono que não conhece dúvidas ou perturbação. A angústia que abre a oração no Getsêmani lentamente desaparece para dar lugar a uma paz profunda. Esta oração da agonia de Jesus é a revelação plena de uma vida de comunhão total com o Pai. É no sofrimento que se descobre a grandeza de alguém. Quem sabe aceitar as humilhações com dignidade, de cabeça erguida, revela toda sua maturidade humana e espiritual. No momento de sua crucifixão, Jesus percebe o peso da dor e ao mesmo tempo a alegria de ter cumprido a missão que o Pai lhe tinha confiado. O evangelista Marcos (15,33-34) reproduz com substância a oração de Jesus no alto da cruz: "À hora sexta (12 horas) houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona (15 horas). E à hora nona, Jesus deu um grande grito, dizendo: "Eloi, Eloi, Lemá sabachtháni" que, traduzido, significa: "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?" É uma oração ao Pai que, à primeira vista, pode ter o sabor de desconfiança no amor do Senhor. É o desabafo de um coração que se encontra abatido pela força do sofrimento. É nesta oração que Jesus assume a nossa humanidade com todas as suas fraquezas e limitações, com seus medos e seu desespero diante dos questionamentos da vida. Esta situação nos leva a perguntar ao Senhor o porquê do seu abandono naquele momento. Mas logo a resposta nos vem: é um abandono apenas aparente. Na realidade, sabemos que é no momento da cruz que o nosso Pai, infinitamente amoroso e profundamente preocupado com seu diletíssimo Filho, reclina-se com carinho redobrado sobre Ele. O evangelista Lucas (23,44-46) nos relata as últimas palavras de Jesus: "Era já mais ou menos a hora sexta quando o sol se apagou, e houve treva sobre a terra inteira até à hora nona, tendo desaparecido o sol. O véu do Santuário rasgou-se ao meio, e Jesus deu um forte grito: Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito". Dizendo isso, expirou. Esta oração de Jesus é a consagração de toda sua vida ao serviço do Pai, ao anúncio da boa nova, na construção do Reino de Deus. Entregar-se nas mãos do Pai não é uma atitude passiva, mas extremamente dinâmica; envolve todo o ser humano nesta decisão de lançar-se num abandono, que não conhece dúvida. A entrega é confiança, é amor, é certeza de que o Pai não deixará de cumprir as suas promessas transmitidas de geração em geração e consagradas para sempre com a morte de Cristo.

Que Deus nos abençoe e guarde.

Um forte abraço para todos.

Fraternalmente,

Severino Alves

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Acesso Restrito