TODOS OS SANTOS - Pe. José Assis Pereira Soares

O calendário litúrgico recolhe um pequeno mostruário daqueles crentes que, tendo testemunhado claramente sua fé cristã, foram reconhecidos oficialmente pela Igreja. Porém, temos também a certeza de que é muito maior, inumerável, o número de quantos escutaram a sentença final do Filho do Homem: “Vinde, benditos de meu Pai, recebei a herança do Reino preparado para vós desde a criação do mundo.” (Mt 25,34)

A solenidade litúrgica de todos os santos celebrada hoje, mas no Brasil transferida para o próximo Domingo e a comemoração de todos os fiéis falecidos para nós cristãos católicos têm algo em comum, pois na nossa profissão de fé afirmamos: “Creio na comunhão dos santos, na ressurreição da carne e na vida eterna”. Por isso foram colocadas no calendário litúrgico da Igreja Católica uma seguindo-se à outra, 01 e 02 de Novembro.

As primeiras comunidades cristãs chamavam de “santos” (cf. Fl 1,1) todos os seus membros e a própria Igreja chamada “comunhão dos santos”. Sabemos que “só Deus é bom.” (Mc 10,18) Mas, por ter sua origem em Deus, a santidade é um dom. A santidade é a vocação originária de cada cristão batizado. Cristo amou a Igreja como sua esposa e entregou-se por ela, com a finalidade de a santificar (cf. Ef 5,25-26). Por este motivo, todos os membros do Povo de Deus são chamados a tornarem-se santos: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação.” (1Tes 4,3)

 

DIA de TODOS OS SANTOS

 

Muitas pessoas têm uma ideia falsa dos santos. Estávamos habituados a ver os santos ligados a lendas piedosas, a histórias deslumbrantes; eram vistos como heróis inatingíveis, pessoas mais dignas de elogio e admiração do que imitação. Todavia os santos eram e são pessoas de carne e osso, sujeitos às contingências desta vida e às imperfeições humanas. Como todos os seres humanos lutaram com seus pecados, alguns foram até grandes pecadores, pessoas que encontraram seu lado de sombra, que sofreram crises e dilemas, para ao final ser transformados pela graça de Deus.

Os santos distinguiram-se das outras pessoas porque tomaram a serio o Evangelho; quiseram ser discípulos de Cristo para se assemelharem a Ele o mais possível. O extraordinário da sua vida estava no seu interior; tiveram uma vivência intensa da fé, da esperança e do amor.

Os santos não foram pessoas que viveram fora da realidade, nem seu estilo de vida estava ligado apenas a uma época. Não há santo possível sem valores humanos e sem grande maturidade pessoal; porque não pode haver santo sem amor a Deus e aos irmãos. E o amor não é passivo, mas ativo, e, de certo modo, revolucionário.

Santos são todos aqueles que percorrem o caminho de santidade indicado pelas Bem-aventuranças (cf. Mt 5, 1-12). Eles puseram em prática na sua vida o programa do Reino de Deus contido nas Bem-aventuranças onde encontramos a resposta à pergunta: Como ser cristão especialmente neste mundo tão conflitivo? O caminho é a pobreza de espírito, a mansidão, o sofrimento suportado por amor, o caminho da justiça do perdão, o caminho da paz enfim, o estilo de vida do próprio Jesus: seu amor e obediência filial ao Pai, sua compaixão frente à dor humana, sua proximidade aos pobres e aos pequenos, sua fidelidade à missão, seu amor até à doação de sua vida.

Portanto, o caminho de santidade que deve percorrer todo cristão é, primeiramente a solidariedade para com os “menores dos irmãos” constitui uma exigência intrínseca a todo e qualquer caminho de santidade: “Todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!” (cf. Mt 25,31-46)

Todos nós cabemos nesta festa inclusiva, a grande festa de todos os filhos e filhas de Deus. Que ela seja expressão da nossa alegria de entrarmos no Reino de Deus.

Padre JOSÉ ASSIS PEREIRA SOARES 

Acesso Restrito