Homilia para o V Domingo Comum - ano c

Is 6,1-2a.3-8

Sl137

1Cor 15,1-11

Lc 5,1-11

Comecemos nossa meditação pelo Evangelho. É comovente: Jesus apertado pela multidão sedenta da Palavra de Deus. Ao terminar Sua pregação, sentado à barca de Pedro, que é imagem da Igreja, ordena a Simão Pedro e à Igreja de todos os tempos: “Avança para as águas mais profundas!”

É a missão que o Senhor nos confia: anunciar o Evangelho do Reino, Evangelho que é o próprio anúncio de Cristo, único Salvador, único Caminho, única Verdade, única Vida da humanidade. Fora Dele não há Verdade, não há Vida!

O Senhor confia aos ministros sagrados e confia a todo o Povo de Deus, a toda a Igreja, barca de Pedro: “Avança para as águas do mar da vida; ide pelo mundo, em cada época, em cada tempo; pregai o Evangelho!” Atualmente, frente à descristianização do nosso mundo, esta ordem do Senhor é um desafio acima de nossas forças; e um desafio que chega a amedrontar. A resposta de Pedro deve ser também a nossa: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à Tua palavra, vou lançar as redes!”

Bendito Pedro, que, na Palavra do Senhor, lançou as redes!

Bendito Pedro, que não cedeu a cálculos humanos nem a modas humanas!

Bendita a Igreja se fizer o mesmo em cada época da história humana!

Benditos nós se, no meio em que vivemos, tivermos a coragem de lançar as redes da pregação do Evangelho!

Observemos que aqui são de pouca valia a inteligência e astúcia nossas: “Na Tua Palavra lançarei as redes!”

Só na Tua Palavra, Senhor, a pregação pode ser realmente eficaz, só na Tua verdade, só no Teu Evangelho sem cortes, sem deturpações, sem descontos, sem concessões desonestas ou ingênuas ao politicamente correto dos senhores do mundo!

O Evangelho será sempre pregado na fraqueza, na pobreza, na loucura. E, no entanto, ele será sempre força, riqueza e sabedoria de Deus! Não tenhamos dúvidas: os homens passarão, as gerações suceder-se-ão, mas o Evangelho na Igreja única, santa, católica e apostólica permanecerá enquanto durar o caminho humano neste mundo!

É comovente também a atitude de Simão após a pesca: “Senhor, afasta-Te de mim, porque sou pecador!” O Senhor é tão grande (não é Aquele que enchia a terra com a Sua Glória, na primeira leitura? Aquele que está envolto numa nuvem de fumaça? Aquele que faz o Templo tremer?), Seus desígnios nos são tão incompreensíveis; somos tão pequenos, tão estultos e frágeis diante Dele: “Senhor, afasta-Te de mim! Chama alguém melhor!” E, no entanto, este Senhor tão grande quer precisar exatamente de nós, pequenos, pobres, estultos, frágeis. Este Senhor tão imenso, pergunta na primeira leitura: ‘Quem enviarei? Quem irá por nós?” Que mistério tão grande! Como pode Deus querer realmente contar conosco? Como pode o Evangelho depender de verdade da nossa pregação, do nosso testemunho? E, no entanto, é assim! É realmente assim! “Não tenhas medo! De hoje em diante, tu serás pescador de homens!” Eis aqui um mistério que não compreenderemos nunca nessa vida! Creiamos, adoremos, e digamos “sim” ao Senhor que nos chama e nos envia! Envia-nos a todos nós batizados e crismados! Lavou-nos no Batismo, como purificou os lábios de Isaías, e ungiu-nos com o Espírito de força e testemunho na Crisma, para que sejamos mensageiros do Seu Evangelho!

Vejamos, finalmente, a atitude de Pedro e de Tiago e João, diante do chamado do Senhor: “Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus”... Nunca mais barcas, nunca mais pescarias, nunca mais a vida de antes... “Deixaram tudo e seguiram Jesus...” É isto que é ser cristão: deixar-se a si, deixar uma vida voltada para si e dobrada sobre si mesmo, para seguir Aquele que nos chamou e consagrou para a missão! Então, somos todos chamados e enviados como testemunhas do Senhor!

Mas, há ainda dois outros aspectos importantes na palavra que Deus nos dirigiu hoje.

O primeiro: em que consiste o anúncio que devemos fazer ao mundo? São Paulo no-lo diz de modo maravilhoso na segunda leitura: “Transmiti-vos em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as Escrituras; que foi sepultado; que, ao terceiro dia, ressuscitou, segundo as Escrituras...” Vejamos bem que o anúncio do Evangelho não é simplesmente um anúncio sentimental e vazio sobre Jesus nem tampouco uma filantropia ou um projeto de governo e gerenciamento para o mundo e a sociedade. Não é pregar curas, não é comentar a Bíblia, não é pregar preceitos morais! Isso não seria evangelização, mas charlatanismo, embromação!

A pregação do Evangelho tem um conteúdo preciso, recebido da Tradição dos Apóstolos. Estejamos atentos como São Paulo diz: “Transmiti-vos aquilo que eu mesmo tinha recebido...” Paulo não inventa; não prega a si mesmo nem por si mesmo, não cede ao mundo e aos gostos da sua época; prega o que recebera na Igreja, prega a fé da Igreja em Jesus. Por isso mesmo, mais tarde, ele vai a Jerusalém para ver Pedro. Vai conferir sua pregação com a de Pedro (Cefas), para ver se não havia corrido em vão! (cf. Gl 2,1-2) E pensemos que Paulo fora chamado diretamente pelo Senhor, de um modo absolutamente original e único! (cf. Gl 1,15-23). Então, para não corrermos em vão, o Evangelho vivido e pregado por nós não pode ser outro que Jesus morto e ressuscitado por nós, nosso único Salvador e Senhor, como crido, vivido, celebrado e anunciado perenemente, geração após geração, pela Igreja. Repetindo: Jesus Cristo como é crido, vivido, celebrado e testemunhado pela Igreja. E quando dizemos “Igreja”, não tenham dúvida alguma: estamos nos referindo à Igreja católica, comunhão no tempo e no espaço de todos aqueles que ouviram a pregação originada dos Apóstolos e guardada pelos legítimos pastores da Igreja!

Mas, há ainda um segundo aspecto importante: este Jesus que pregamos não é um mito, uma lenda, um sonho, uma ideia, uma ideologia! Ele é a mais profunda e verdadeira realidade: o que diz São Paulo sobre o Cristo ressuscitado? “Apareceu a Cefas e, depois aos Doze. Mais tarde, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez. Destes, a maioria ainda vive... Depois apareceu a Tiago e, depois, apareceu a mim, como a um abortivo”. É comovente o testemunho pessoal do Apóstolo! Ele viu o Senhor ressuscitado, ele é testemunha em primeira pessoa, juntamente com Pedro, em primeiro lugar, juntamente com os Doze e com toda a Igreja (os quinhentos irmãos)! O Evangelho que testemunhamos e anunciamos é uma realidade, é firme como uma rocha!

Que fiquem hoje no nosso coração estes santos e piedosos pensamentos: o Senhor nos chama e envia para a missão; nós realmente somos importantes para a pregação do Evangelho! Este Evangelho é uma Pessoa concreta: é Jesus morto e ressuscitado, nosso Deus e Salvador, tal como é crido e anunciado pela Igreja católica, dentro da legítima e contínua Tradição dos Apóstolos. Que nos resta dizer? Sejamos fiéis a tão grande e tão urgente missão que o Senhor nos confia nos tempos de hoje: “Avança para as águas mais profundas, e lançai as redes para a pesca!”

Vem conosco, Senhor Jesus, porque o Teu mar é tão vasto e nosso barco, Tua Igreja, é tão pequena!

Vem conosco e temos certeza que nossas redes não se romperão nem ficarão vazias!

Na Tua Palavra, ensina-nos a lançar as redes! Amém.

 

DOM HENRIQUE SOARES 

BISPO DE PALMARES (PE)

ESPAÇO DE EVANGELIZAÇÃO

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