MEDITAÇÃO XVII

Meditação XVII

Reze o Salmo 119/118,129-136

Como lectio divina, leia com os olhos e os ouvidos do coração Ex 17

1. Neste capítulo, aparecem dois temas bem definidos. Primeiro, a água da rocha (cf. vv.1-7).

a) O v. 1 traz uma informação surpreendente: o Senhor conduziu Seu povo a um lugar onde não havia água para beber! Precisamente, o mesmo Senhor do Salmo 23/22:

“O Senhor é meu pastor, nada me falta.

Em verdes pastagens me faz repousar.

Para as águas tranquilas me conduz

E restaura minhas forças;

Ele me guia por caminhos justos,

Por causa do Seu Nome!”.

Foi “seguindo a ordem do Senhor” que o povo chegou nesse Rafidim tão seco! Ali, sem água, sem perspectiva, sem amparo humano algum, o povo perdeu a fé, deixou de lembrar-se do Senhor e, mais uma vez, superficialmente, só enxerga Moisés!

Nunca esqueçamos: quando não mantemos os olhos e o coração no Senhor é somente a casca que vemos, só atingimos a superfície das coisas, da realidade! E, então, nunca compreendemos nada realmente! O Senhor é Santo, é grande demais, guia-nos por caminhos incompreensíveis, surpreendentes! Somente o humilde, o pobre, o que tem o coração de criança pode caminhar com um Deus assim! “Bem-aventurados os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus! Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” em todas as coisas (Mt 5,3.8)

b) O povo discute com Moisés; exige dele o que ele não pode dar: “Dá-nos água para beber!” O povo espera de um homem o que só Deus pode dar!

E você, também espera das pessoas, das coisas, das situações, das águas desta vida, aquela Água viva que enche o coração, que sacia a vida, que realiza a existência? O Cristo nosso Deus afirma claramente: “Aquele que bebe desta água terá sede novamente; mas, quem beber da Água que lhe darei, nunca mais terá sede. Pois a Água que Eu lhe der tornar-se-á Nele fonte de Água jorrando para a Vida eterna” (Jo 4,13s). Todos nós temos sede; todos nós, de um modo ou de outro, somos sempre carentes, tantas vezes acampamos nos Rafidim da vida! E, como o nosso coração se engana facilmente, na nossa sede, esquecemos de olhar para Aquele que habita no Céu, e procuramos saciar o coração sedento com águas deste mundo, águas muitas vezes podres, águas que não saciam... E esquecemos Aquele que é a fonte da Água viva, que enche de doçura, paz e vida o coração: “Meu povo cometeu dois crimes: Eles Me abandonaram, a Mim, fonte de Água viva, para cavar para si cisternas, cisternas furadas, que não podem conter água!” (Jr 2,13). Eis Israel, esquecendo de olhar para o Santo e esperando água do pobre Moisés; eis-nos, nós, tolos, esquecendo de saciar nossa sede no Senhor e esperando Água viva das águas das criaturas!

c) Moisés desmascara a murmuração e a revolta dos israelitas: “Por que discutis comigo? Porque pondes o Senhor à prova?” (v. 3). Isto mesmo: não foi Moisés, foi o Eterno Quem tirou Israel do Egito, Quem o levou até ali! Israel esquece tudo isto!

Moisés, por sua vez, faz aquilo que o homem de fé deve fazer: “Moisés clamou ao Senhor!” (v. 4)

Mais uma vez, durante este retiro, a Palavra do Senhor coloca você diante desta questão: Nas provações, nas solidões, nas sedes, nas carências da vida, volto-me para mim mesmo e para as criaturas ou sei erguer minhas mãos para o Senhor? Aprenda! Confie no Senhor; apresente-Lhe a sua queixa, exponha-Lhe a sua angústia! Reze o Salmo 71/70.

d) O Senhor manda que Moisés fira a rocha e dela saiu a água que saciou o povo (cf. vv. 5s). Esta imagem é figura e profecia de uma realidade profunda da nossa salvação. À Samaritana, o Senhor nosso, sentado no poço de Jacó, prometeu uma Água viva que jorra para a Vida eterna (cf. Jo 4,13s); na Festa das Tendas, disse claramente que quem tivesse sede, poderia vir a Ele e Dele beber, pois daí sairiam rios de Água viva (cf. Jo 7,36). Esta Água é o Espírito Santo de Jesus morto e ressuscitado (cf. Jo 7,37)! Ele é Poço, Ele é o Rochedo ferido por Moisés (cf. 1Cor 10,4): Dele, traspassado, brotou a fonte dos sacramentos que dão o Espírito de Água vida que sacia a Igreja e cada um de nós. Por isso, o modo solene com que João conta como a água do Batismo e o sangue da Eucaristia saíram do lado do Senhor logo depois que Ele entregou o Espírito (cf. 19,33-37).

Eis o mistério, eis a beleza, eis a sabedoria divina, eis a salvação: do lado do Cristo imolado e ressuscitado, eternamente diante do Pai na Glória (cf. Ap 5,6), sai para nós, para a Igreja, continuamente, o Espírito, dado como Água viva nos sacramentos da Igreja para saciar o Novo Israel no deserto deste mundo!

Bendito sejas Tu, Senhor nosso Deus,

Pela Tua misericórdia, pela Tua providência para conosco!

Tu não nos abandonas, mas nos sustentas com a Água espirituada,

Saciando de Vida divina, de graça e paz o nosso coração!

Bendito sejas pelo Teu Filho Jesus, Teu Cristo, nosso Salvador e Deus,

Que, como Rochedo de Coração trespassado, nos sacia de Espírito Santo!

Bendito sejas agora e sempre pelos santos Sacramentos que, pelo Teu Filho nosso Deus Salvador, deste à Tua Igreja!

Bendito sejas pelo Espírito que nos sacia como Vida no Batismo,

Bendito sejas pelo Espírito divino que nos unge como Força na Crismação,

Bendito sejas pelo Espírito que nos é dado como Amor de imolação na Eucaristia,

Bendito sejas pelo Espírito derramado para a remissão dos pecados na Penitência,

Bendito sejas pelo Espírito de Amor de aliança nupcial entre o Teu Cristo e a Igreja, que unge o amor dos Teus fieis no Matrimônio,

Bendito sejas pelo Espírito que configura ao Teu Cristo sacerdote, profeta e rei na sagrada Ordenação dos Teus ministros,

Bendito sejas pelo Espírito que configura os Teus fieis ao Cristo sofredor na sagrada Unção, de modo que completem na sua carne os padecimentos do Senhor pelo bem da Igreja!

A Ti, pois, nosso Deus único, ó Eterno, a glória, o louvor, a adoração e a ação de graças,

Por intermédio do Teu Filho Jesus, o Messias, nosso Senhor e Deus,

Na Unidade indizível, incompreensível, santa, infinita e eterna do Teu Santo Espírito,

Pelos séculos dos séculos!

Bendito seja o Reino eterno e imperecível

Do Pai e do Filho e do Espírito Santo,

Reino plantado pelos sacramentos nos nossos corações

E, através de nós, Seus fieis e ministros, Povo sacerdotal,

Presente no mundo e destinado a manifestar-se na Glória eterna,

Agora e sempre e pelos séculos dos séculos! Amém.

e) O povo bebeu e desalterou-se, ficou saciado... Mas, as marcas ficaram – o pecado, a rebeldia, a dureza contra o Senhor sempre deixa marcas: para perpétua memória, o nome daquele lugar de descrença, de rebeldia, de incapacidade de olhar para o Alto, é Massa (provação) e Meriba (contestação). Provado, o povo não rezou, não creu, não ergueu os olhos para o Altíssimo, mas contestou, rebelou-se, descreu! O Povo, e eu, e você, meu Amigo, quantas vezes colocamos o Santo à prova e, de modo blasfemo, perguntamos: “O Senhor está no meio de nós, ou não?” (v. 7). E por que perguntamos? Por que o Santo não cabe na nossa lógica; é infinitamente maior que nossa gaiola mental e afetiva! – Ó Senhor, cura a nossa cegueira; dilata o nosso coração para Ti!

f) Reze o Salmo 95/94.

2. O segundo tema deste capítulo são os amalecitas, inimigos jurados de Israel, símbolo de todos os inimigos do Povo de Deus e de todo o mal!

a) Criticando a descrença de Israel nas águas de Meriba, os rabinos judeus dizem que a verdadeira fidelidade e inquebrantável confiança em Deus, a verdadeira fidelidade ao Povo santo e a perseverança na fé professada só podem ser verdadeiramente reconhecidas nas situações difíceis e críticas, nos momentos de tormento e aflição. Os fracos e inconstantes fracassam na fé logo ao primeiro golpe das provações ou quando as cobiças materiais e as ambições pessoais não correm conforme os seus desejos imediatos. Como são infelizes aqueles que logo no primeiro choque com as situações adversas, nas primeiras tentações, começam a duvidar, a vacilar, a se perguntar se vale a pena crer, se compensa confiar em Deus! E a consequência deste abalo moral e religioso, dessa concessão à infidelidade é imediata: “Veio Amalec e combateu contra Israel em Rafidim!” (v.8). Em outras palavras: vem o Maligno, o Enganador, o Sedutor, e na Rafidim da provação, combate o fraco na fé para destruí-lo – e combate traiçoeiramente, atingindo-o no seus pontos fracos, como Amalec combateu Israel: “Lembra-te do que Amalec te fez no caminho, quando saíste do Egito: ele veio ao teu encontro no caminho, quando estavas cansado e extenuado e, pela tua retaguarda, sem temer a Deus, atacou a todos os desfalecidos que iam atrás” (Dt 25,17s).

Cuidado, Amigo! Permaneça firme na fé, confie no Senhor, a Ele se entregue, a Ele se abandone: Ele é fiel! Combata Amalec: “Deverás apagar a memória de Amalec de sob o céu. Não te esqueças!” (Dt 25,19). De Sua parte, o Senhor está com você, está ao seu lado no combate: “O Senhor estará em guerra com Amalec de geração em geração!” (v. 16)

b) Devemos combater o combate espiritual, devemos combater Amalec em nós: a descrença, a rebeldia, a autossuficiência, o desespero, a teimosia de querer fazer do nosso modo e nos nossos tempos! O Senhor combate por nós! Mas, somente venceremos o maligno Inimigo com a oração (cf. vv. 8-13): “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca!” (Mt 26,41). O Senhor combate a nosso favor, o Senhor irá “extinguir a memória de Amalec de debaixo do céu” (v. 14), mas é preciso que combatamos como Josué e rezemos como Moisés!

c) Combater como Josué é fugir das ocasiões do pecado, é cultivar as virtudes, é combater firmemente os nossos vícios, nossos maus hábitos. Combater como Josué é praticar a disciplina no comer, no dormir, no falar, no divertir-se, é praticar a esmola, dando o nosso amor aos irmãos e mesmo aos distantes de nós, fazendo-nos próximos, como o Senhor nos ordenou... Enfim, é sermos senhores de nós mesmos!

Rezar como Moisés é ser fiel na prática da oração, é ter momentos diários de escuta da Palavra do Senhor, é procurar o Senhor na oração, coração a coração, é parar diante do Santíssimo Sacramento em piedosa adoração...

É isto que você tem feito? É assim que você enfrenta seus vícios, suas tentações? É assim que você se comporta na provação? Como está a sua prática quaresmal? Pense! Reze! Lembre que, mais que Moisés, é o Cristo Deus, nosso Pontífice, que intercede em nosso favor!

d) Reze o Salmo 90/89.

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