MEDITAÇÃO XVI

Meditação XVI

Reze o Salmo 119/118,121-128

Como lectio divina, leia com os olhos e os ouvidos do coração Ex 16

1. Agora, Israel encontra-se em pleno deserto, lugar tremendo, no qual o homem precisa de Deus todo o tempo para sobreviver. O deserto nos ensina a confiar no Senhor, a recorrer a Ele, a colocar nossas vida nas Suas mãos benditas. Israel terá que aprender!

2. Mais uma vez, Israel pecou: murmurou contra Deus, disfarçando sua maldita murmuração em reclamação contra Moisés! Todo o Israel murmurou, todo o Israel pecou (cf. v. 2). E ainda usa o santíssimo Nome do Senhor na sua murmuração: “Antes fôssemos mortos pelo Senhor...” Povo raso, povo superficial, povo que não sabe compreender!

a) E eu? E você? Sabemos calar o coração e escutar o Senhor? Obedecemo-Lo? Compreendemo-Lo? Confiamos nos Seus desígnios? Cremos de verdade que nossa pobre vida está n as Suas mãos benditas? O povo tem sede das panelas de carne do Egito; tem sede da comida de miséria! Sim, pode ser carne, pepino, cebola, mas é comida de miséria porque comida na escravidão, longe do Senhor! Assim, é o pecado: tem algo de gostoso, de prazeroso, de alegria... Mas, é fugaz, é passageiro, é maldito alimento de escravidão, que não dá a Vida verdadeira, não preenche o coração, aparta de Deus! “Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado!” (Jo 8,34).

b) Olhe bem sua vida: O que o alimenta? O que sacia o seu coração? Onde você procura nutrir sua existência? Bendito será você se sua vida é sustentada pelo alimento que o Senhor concede; maldito, se seu alimento são as migalhas saborosas e ilusórias do Egito do pecado!

Reze o Salmo 1.

3. Neste capítulo, três vezes se diz que o Santo ouviu as murmurações de Israel.

a) A murmuração, a reclamação, a crítica azeda e mal-humorada que nasce da falta de fé e da superficialidade de coração. O Senhor sonda o nosso coração, Ele conhece os nossos pensamentos! Israel é um povo que jura ao Senhor amor e fidelidade e, logo depois, nega tudo e murmura: “Eu conheço Efraim e Israel não pode ocultar-se de Mim! O vosso amor é como a nuvem da manhã, como o orvalho que cedo desaparece!” (Os 5,3; 6,4).

b) Amigo meu, cuidado para que sua fé, seu amor, sua confiança em relação ao Eterno não sejam superficiais! Pela oração, pela escuta da Sua santa Palavra, pela adoração e a obediência aos Seus santos mandamentos, por uma vida sóbria e fiel, o homem vai recebendo do Senhor, na força cristificante do Espírito, um coração segundo o Coração de Cristo Jesus, com os Seus mesmos sentimentos e, assim, vai vendo e discernindo a presença, a shekinah do Senhor Deus em todas as coisas!

c) Lembre da Virgem Maria, de coração profundo: “guardava tudo, meditando no seu coração” (Lc 2,19.51), coração profundo como o oceano. A Virgem Santíssima, Mulher fiel, verdadeira filha de Israel: ela jamais murmurou! Nem quando do desastre da cruz: sempre Virgem silenciosa, sempre Virgem orante, sempre Virgem que sabe ouvir, sempre Virgem forte da fortaleza de quem se abandona nas mãos do Senhor! Que ela rogue por nós, pecadores, tão superficiais!

d) Moisés desmascara a murmuração do povo; passa-lhe na cara o sentido, a hipocrisia dessa atitude: “Não são contra nós as vossas murmurações, e sim contra o Senhor!” (v. 8) É como tenho dito já algumas vezes: a murmuração nasce da falta de capacidade de contemplar o Senhor em todas as coisas! Ela é fruto da falta de fé, ponto e basta!

Pensando na bondade do Senhor, que conduziu o Seu povo e ainda o conduz com amor, reze o Salmo 105/104. Aprenda a confiar no Senhor verdadeiramente!

4. Agora, meditemos sobre o maná:

a) É o pão que revela a Glória, o Poder e o Amor de Deus diante do Seu povo (vv. 7.11.12.15.32s.35);

b) É o alimento que não pode ser acumulado egoisticamente, que não será nunca uma posse, uma propriedade de Israel: Deus o dá a cada dia, a cada dia o povo colhê-lo-á como um dom (vv. 4.17.19). Mais tarde, pensando no maná e no verdadeiro e definitivo maná, a Eucaristia, o Senhor e Salvador nosso, o Cristo nosso Deus, ensinar-nos-á a pedir: “O pão nosso cotidiano dá-nos hoje!” (Mt 6,11; Lc 11,3). O pão aqui é primeiramente a Eucaristia, Pão do Reino de Deus; mas é também tudo aquilo que sustenta a nossa vida neste mundo. O Senhor nos ensina a pedir o suficiente para uma vida digna, conforme o Livro dos Provérbios nos apresenta de modo tão belo: “Não me dês riqueza nem pobreza, concede-me o meu pedaço de pão; não seja eu saciado e Te renegue, dizendo ‘Quem é o Senhor?’ Não seja eu necessitado e roube e blasfeme o Nome do meu Deus!” (Pr 30,8-9).

c) Os judeus ainda hoje afirmam que o maná foi escondido pelo Rei Josias antes da destruição do Templo de Jerusalém e somente reaparecerá no Tempo do Messias. Também afirmam que o maná foi criado no crepúsculo do sexto dia da criação e é o alimento dos justos e dos anjos no Céu. Para nós, cristãos, tais afirmações são cheias de sentido espiritual: De fato, o maná verdadeiro passou a ser dado com o Messias, Jesus nosso Senhor: foi o Pai do Céu Quem deu o verdadeiro Maná, enviando o Seu Filho: é Ele o Pão da Vida (cf. Jo 6,32.35.48-51). Este é o Pão verdadeiro, Pão que alimenta os justos, isto é, os santos e os anjos. É o que canta a Igreja na Solenidade de Corpus Christi:

“Eis o Pão que os anjos comem,

transformado em Pão do homem,

só os filhos o consomem;

não será lançado aos cães!” (Sequência de Corpus Christi)

d) Estejamos sempre atentos à desobediência caprichosa dos israelitas, que é a nossa desobediência (cf. v. 19s.27s): Moisés diz que eles tomem somente a quantidade de um dia; eles pegam mais que isso. Moisés diz que não procurem recolher o maná no sábado: eles vão atrás! É sempre a nossa tendência de fazer do nosso modo, no nosso tempo, com a nossa lógica, na nossa medida! É sempre a tendência maldita e destrutiva de acumular, de satisfazer nossos apetites, de agir de acordo com nossos desejos! Os rabinos de Israel dizem que aqueles que procuraram juntar maná para o dia seguinte ou foram recolhê-lo no sábado são como as pessoas que passam a vida acumulando bens e fortunas que, de tantas e tantas, não poderão usufruir no decorrer de suas vidas neste mundo. O que acontecerá com pessoas assim? No fim de seus dias também criarão vermes e cheirarão mal, como o maná estragado! Ao invés de sermos puros pães ázimos para o Senhor (cf. 1Cor 5,7s) seríamos somente maná mal cheiroso e pasto de vermes (cf. Ex 16,19s)!

5. Reze o Salmo 105/104

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