MATEUS 3,1-12 (423)

Texto bíblico diário comentado (423)

Irmãos e irmãs,

Participemos da leitura e reflexão diária da Palavra de Deus. E aprendamos com a ação educadora de João Batista e com sua humildade.

Mateus 3,1-12 – Pregação de João Batista – Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizendo: "Arrependei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo". Pois foi dele que falou o profeta Isaías, ao dizer: Voz do que grita no deserto: Preparai o caminho do Senhor, tornai retas suas veredas. João usava uma roupa de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins. Seu alimento consistia em gafanhotos e mel silvestre.

Então vieram até ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a região vizinha ao Jordão. E eram batizados por ele no rio Jordão, confessando seus pecados. Como visse muitos fariseus e saduceus que vinham ao batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, então, fruto digno de arrependimento e não penseis que basta dizer: 'Temos por pai a Abraão'. Pois eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos de Abraão.

O machado já está posto à raiz das árvores e toda árvore que não produzir bom fruto será cortada e lançada ao fogo. Eu vos batizo com água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhe as sandálias. Ele vos batizará com o espírito Santo e com fogo. A pá está na sua mão; limpará sua eira e recolherá seu trigo no celeiro; mas, quanto à palha, a queimará num fogo inextinguível. Palavra da Salvação!

Comentário: O rito de imersão, símbolo de purificação e de renovação, era conhecido das religiões antigas e do judaísmo – batismo dos prosélitos e dos essênios – porém o batismo de João distinguia-se por três traços importantes: tinha um objetivo não ritual, mas moral; não se repetia, tinha caráter de iniciação; e introduzia o batizado no grupo dos que esperam diligentemente o Messias.

Sua eficácia era real, porém não sacramental, pois dependia do julgamento de Deus, que ainda estava por vir na pessoa do Messias, cujo fogo havia de purificar ou de consumir, segundo a atitude de acolhimento ou de resistência de cada um, e que seria o único a batizar com o Espírito Santo.

O precursor, João Batista, último dos profetas, veio dar testemunho a respeito do Messias: "Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo", e sobre ele havia a profecia de Isaías, cf 40,3, que diz: Uma voz clama: "No deserto, abri um caminho para Iahweh; na estepe, aplainai uma vereda para o nosso Deus". Ele é o mensageiro de Deus.

Que significado tem mesmo essas palavras? Podemos responder que o pior deserto enfrentado por João foi a insensibilidade do coração das pessoas, que desejavam e ainda desejam continuar com vidas vazias, desprezando a conversão a Deus, que é quem realmente pode trazer a felicidade e a paz aos nossos corações.

A missão de João era educativa: "Preparai o caminho do Senhor, tornai retas suas veredas" – o caminho representa o coração dos humanos – e era ai que precisava de arrependimento e conversão. É preciso aplainar as colinas e aterrar os vales profundos. Como colinas consideramos que seja todo o nosso orgulho, egoísmo, vaidade e outros males dificultam o caminho do Senhor através do nosso íntimo.

A existência de vales, a serem aterrados em nossas vidas, tem a ver com nossas dificuldades, que precisam ser superadas: como a falta de fé, os medos que costumamos ter, a timidez, que nos paralisa e atrapalha o nosso avanço espiritual, as desconfianças e tudo o que entrava nosso relacionamento com Deus e com o Seu projeto. Que aprendamos com João Batista na sua ação educadora, na sua confiança plena em Deus, na sua entrega total e sua humildade.

Um forte abraço para todos

Fraternalmente,

Severino Alves

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Acesso Restrito